sexta-feira, 4 de julho de 2008



Caminhos

A rua segue o infinito que meus olhos não tocam...
O sonho caminha ao lado da minha solidão...
Mesmo calados não se misturam,
A dor dos meus lábios carnudos e gelados,
Esperam-lhe por algo que não sei...

Atravesso o som do silêncio
E não o encontro na paisagem que criei
Os tons de azul que aos compassos derramei...
Fechei as outras páginas que estavam abertas,
Misturam-se ao vôo da canção que não silenciei...

Tudo o que deixei parece que me segue no tempo,
Que me cega nos passos...
E sigo na contramão para fugir dos abismos
Que cegam minhas indecisões...
E tramam o próximo capitulo desse romance libido e mundano.

Mariah Lacerda & Hades Pierrot

quinta-feira, 3 de julho de 2008



Exaustão

Aos passos sutis, sobre o azulejo gelado,
Caio de joelhos sobre o tom apagado do escombro...
Deito no chão e caído sinto o alivio,
Do frio que leva o meu mal estar...
Desse “estar” que tiro de um momento,
Dessa morte que sofro,
Vendo o reflexo do meu rosto sobre esse chão,
Até que a luz se apague de exaustão...
E revele o escravo do mundo entregue ao futuro.

Hades Pierrot

domingo, 29 de junho de 2008



Um céu bom de voar.

De tempos em tempos, nos sentamos à beira daquele lugar,
Tão alto aquele lugar, que de ventos em ventos nos levamos a soprar...
A superar, a deixar que a vida nos conduza a construir,
E que o precipício seja o céu bom de voar...
Que eu possa te ver e dissolver com lágrimas a dor de amar,
Como poeta e sem deixar de ser guerreiro,
Que eu possa escolher as minhas armas para amar...

Hades Pierrot

domingo, 18 de maio de 2008



Sete Palmos, Sete Vidas...

Mão sobre mão, escondendo entre as palmas um segredo,
A vaia do concerto que não foi aceito pelos poucos...
Mártires! Mortos vulgares!
Tira-me daqui, deste caixão apertado, eu preciso sair...
Estou tonto por não poder respirar,
Estou tonto, mas não me deixam dormir...
O batuque infernal sobre a madeira do meu leito,
Tira-me o sono e me lembra de que estou no inferno.

Hades Pierrot

sábado, 17 de maio de 2008



Mais saudade

É difícil explicar como o tempo passa,
É fácil sentir saudade...
Complicado é desejar o que já está longe,
Lembrar que partira de tão perto,
E se foi... A deixar pegadas em minha pele,
Simples como seguir o horizonte.

A beleza tão forte,
Que me deixa fraco e cheio de lágrimas nos olhos...
Eu que fiz escolhas quando criança
Sempre cresço e viro homem para sofrer,
A partida das pessoas que amei em vida
E revê-las em seu veleiro, sumindo no azul...

A festa agora está silenciosa,
A música dos violões, os risos,
Agora estão longe...
Como a água que se esvaziou em minhas mãos,
E secou no chão,
Matando-me de sede.

Hades Pierrot

segunda-feira, 17 de março de 2008



Todo coração é guerreiro

Todo coração é um guerreiro,
Nasceu para encarar a serpente
E vê-la levitar, levada pela águia...
Todo guerreiro só alcança seu auge
Quando com ele a vida sugere vitórias,
Quase que inalcançáveis,
De dor,
De amor,
Luto...

Na guerra é preciso sonhar,
A realidade só, nunca basta.
O que resta se não...
Dor,
Amor,
De luto...
O que resta...
Dor,
Amor,
Luto?
O que?

Hades Pierrot

quinta-feira, 6 de março de 2008



Experiências

Pegue um copo de vidro,
Coloque-o a beira do alto de um muro,
Observe quando e o quanto ele interfere,
Na pureza do dia e em seu jeito delicado.

O quanto ele transforma a luz ferida pelos olhos,
Deformando a sua lógica e seu jeito impecável...
Feito isso. Agora "peque" o copo... Quebre-o!
Corte os teus pulsos e prove do dia a dia...

O muro pode ser alto ou baixo,
O copo cheio ou vazio, o olho cego...
Certamente haverá a queda...
E a experiência então, será audaciosa.

Hades Pierrot