domingo, 29 de junho de 2008



Um céu bom de voar.

De tempos em tempos, nos sentamos à beira daquele lugar,
Tão alto aquele lugar, que de ventos em ventos nos levamos a soprar...
A superar, a deixar que a vida nos conduza a construir,
E que o precipício seja o céu bom de voar...
Que eu possa te ver e dissolver com lágrimas a dor de amar,
Como poeta e sem deixar de ser guerreiro,
Que eu possa escolher as minhas armas para amar...

Hades Pierrot

domingo, 18 de maio de 2008



Sete Palmos, Sete Vidas...

Mão sobre mão, escondendo entre as palmas um segredo,
A vaia do concerto que não foi aceito pelos poucos...
Mártires! Mortos vulgares!
Tira-me daqui, deste caixão apertado, eu preciso sair...
Estou tonto por não poder respirar,
Estou tonto, mas não me deixam dormir...
O batuque infernal sobre a madeira do meu leito,
Tira-me o sono e me lembra de que estou no inferno.

Hades Pierrot

sábado, 17 de maio de 2008



Mais saudade

É difícil explicar como o tempo passa,
É fácil sentir saudade...
Complicado é desejar o que já está longe,
Lembrar que partira de tão perto,
E se foi... A deixar pegadas em minha pele,
Simples como seguir o horizonte.

A beleza tão forte,
Que me deixa fraco e cheio de lágrimas nos olhos...
Eu que fiz escolhas quando criança
Sempre cresço e viro homem para sofrer,
A partida das pessoas que amei em vida
E revê-las em seu veleiro, sumindo no azul...

A festa agora está silenciosa,
A música dos violões, os risos,
Agora estão longe...
Como a água que se esvaziou em minhas mãos,
E secou no chão,
Matando-me de sede.

Hades Pierrot

segunda-feira, 17 de março de 2008



Todo coração é guerreiro

Todo coração é um guerreiro,
Nasceu para encarar a serpente
E vê-la levitar, levada pela águia...
Todo guerreiro só alcança seu auge
Quando com ele a vida sugere vitórias,
Quase que inalcançáveis,
De dor,
De amor,
Luto...

Na guerra é preciso sonhar,
A realidade só, nunca basta.
O que resta se não...
Dor,
Amor,
De luto...
O que resta...
Dor,
Amor,
Luto?
O que?

Hades Pierrot

quinta-feira, 6 de março de 2008



Experiências

Pegue um copo de vidro,
Coloque-o a beira do alto de um muro,
Observe quando e o quanto ele interfere,
Na pureza do dia e em seu jeito delicado.

O quanto ele transforma a luz ferida pelos olhos,
Deformando a sua lógica e seu jeito impecável...
Feito isso. Agora "peque" o copo... Quebre-o!
Corte os teus pulsos e prove do dia a dia...

O muro pode ser alto ou baixo,
O copo cheio ou vazio, o olho cego...
Certamente haverá a queda...
E a experiência então, será audaciosa.

Hades Pierrot

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008



Marcado no Relógio

Eu que necessito dizer...
Que talvez ainda possa mudar.
Olhando o céu, eu vejo o mar...
Uma canção que me leva,
Uma onda macia de saudade
Até uma praia de verdade.

Eu que não sei se elas existem,
Penso um dia conseguir dizer
Algo que realmente alivie,
Que leve de mim esta seca,
Que me faça ser,
Um som a fim do universo.

Hades Pierrot

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008



Um momento

Esse som de maquinas me atordoa,
Faz-me pensar no que sou afinal...
Um amontoado de idéias?
Onde nem todas dão certo...

Atordoa porque sempre me esqueço,
Que as pessoas que amam chegam atrasadas
E que no futuro se resguarda a recompensa da vida...
Reservada ao esforço com o qual lutou contra a sua natureza...

A matéria prima da felicidade espremida em cores,
Afastadas geram o paradoxo da eternidade...
Unidas expressam o longo alcance...
Eu ainda paro para ver o arco-íris...

Apenas não sei o porquê...
E esse barulho todo me atordoa...
Pois sem ele enlouqueceria mais cedo
E estaria livre dessa indagação e preso em outra...

Hades Pierrot