sábado, 16 de fevereiro de 2008



O Gosto

Gostais das flores pequenas,
da sutil fragrância, da cama perfeita,
das pétalas macias, da essência a calmaria...
Força com que me prendes nessa paixão...
Das pétalas mágicas sobre o rosto,
o recém despertar das mãos de quem ama...
toque no futuro do outro dia,
sonho de que tudo estará lá como não está,
inclusive retirar do suspiro o teu gosto,
e na feição de um beijo, um motivo.

Hades Pierrot


Chegar aonde ninguém foi

Chegar ao longe nem sempre pode fortalecer,
Uma alma que vence,
Antes corre o risco de se esquecer,
De ser feliz, de compreender,
De amar e dar prazer...
Não há ninguém tão longe de nós
Que não tenha se submetido a sofrer.
O medo o torna sozinho e carente.
E por essas e outras eu confisco,
Purifico meus conhecimentos,
Alimento de bons grãos meus pensamentos,
Pois onde não há amor, não fico!
De dor já basta, chega de suicídio.
Do que me vale chegar tão longe,
Chegar a ser tão triste,
E sozinho...

Hades Pierrot

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008



Pois "é..."

Cada pedacinho de alguém no meu espaço
é uma fortuna de estrelas
e é dessa fortuna que tiro o brilho dos meus olhos
e ponho no enxergar de quem amo,
é esse brilho que me faz tão bem na vida,
é por esse brilho que me apaixono.

Beijos.

Hades Pierrot

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008



Metamorfose e Mel

Não me zango com as flores de meu jardim,
Se me arranho de vez em quando em teus espinhos,
É pelo prazer, pela dor de me sentir menos sozinho.
De me embriagar da tua metamorfose e mel,
No cheiro do teu perfume avassalador.
Com o propósito de quem sabe até ser feliz.
Vencer com o peito sobre o ardor.

Hades Pierrot


Batom vermelho

Curvas leves como aguadas de aquarela,
Azuladas e calmas...
No papel branquinho feito leite, pinceladas na alma.
Delicadas bailarinas rosadas e uma espontaneidade poderosa,
O mistério de uma flor fantástica, disfarçada, que é na verdade musa,
Descanso de mulher satisfeita após a excitação mais perigosa.

A vida é formosa em seu corpo brilhante, perfumado em pétalas.
Do céu tranqüilo um mundaréu de encantos e aventuras,
A forma precisa como contorna a carne de meus lábios,
Do tom pastel a vermelhos mais saturados,
Versos e profundos frutos, mágicos mergulhos intensos no sabor do seu batom,
Recados abstratos dedicados à saudade e entregues aos ventos que negam o autor...

Uma bagunça engraçada com as tintas e me pinto todo...
Não é tanta assim a lembrança, só prazer na romântica plenitude da poesia,
Além da pureza dinâmica é para ti a natureza da arte que fascina.
A surpresa dos seus olhos sempre abertos à inocência,
O bailar da cor molhada, os cílios longos e delineados pelo brilho do dia mais bonito.
A insinuação de que o som da chuva é a música que toca quando lembramos do passado.

Hades Pierrot


A luz do barco

Luz fria que banha o mar de sentimentos,
Dá aos seus aventureiros o barco da emoção.
Desemboca poucos mansinhos e serenos,
Mas desperta sempre com o calor o Sol da revolução.

A embriaguês já passou,
De tardezinha muda-se de estação,
Se amanhecer é primavera, logo mais será verão,
Outono no coração e inverno no período da solidão.

Nunca acaba a emoção, o perigo não se esgota...
Cada barco colorido no oceano é doce e sujeito a mordidas.
Da Lua saborosa que encanta de vinho a fantasia,
A aquele que conduz seus prantos, o mar da vida.

Hades Pierrot

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008



Menino

Eu queria ter lhe impedido,
Mas nem se quer o conheci, menino.
Precisava ter arriscado, gritado...
Quem sabe assim com a ajuda dos anjos,
Tivesse ficado aqui, comigo.

Ruídos de agonia dos dois lados,
Sua solidão, seu talento, trancados num quarto.
Duas vozes, uma lhe puxando para baixo.
Na velhice de um menino,
Seu vazio deixado em versos, inacabados.

Hades Pierrot